Como é a relação da produtividade, irrigação e custos no agronegócio

A relação entre a produtividade, irrigação e custos no agronegócio brasileiro é pauta para discussão há muito tempo. Tanto que nessa matéria já desmitificamos alguns apontamentos sobre o uso da água no agronegócio.

Agora é hora de levar o assunto para um novo nível, focado na discussão dos sistemas de irrigação, seus diferentes tipos, sua importância para a produtividade entre outros temas.

E quem volta para conversar com a gente é Fernando Campos Mendonça, professor do MBA em Agronegócios USP/Esalq. Confira o que ele comentou sobre produtividade, irrigação e custos no agronegócio!

Panorama geral sobre produtividade, irrigação e custo no agronegócio

Em primeiro lugar, é necessário que você entenda uma coisa: a irrigação tem por objetivo nutrir plantações com água na medida em que elas necessitam e, junto de outras ações de controle e desenvolvimento, auxiliar e contribuir de maneira efetiva no aumento da produtividade das culturas e na redução de custos desnecessários.

A partir dessas informações, três fatores se interligam. E, segundo Mendonça, no caso da irrigação, há diferentes consequências do bom uso desse recurso.

“O uso da irrigação modifica o ambiente de produção e, consequentemente, aumenta a produtividade e reduz o custo unitário da produção agrícola. Seu efeito vai além da simples eliminação ou redução da deficiência hídrica, pois permite que novas técnicas sejam utilizadas no campo, tais como utilizar a água como veículo para a aplicação de fertilizantes químicos e orgânicos (fertirrigação), produtos de controle biológico e estimulantes de crescimento (bioirrigação) e alguns produtos de controle químico (insetigação e fungigação).”

“Vários trabalhos de pesquisa e dados da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations ou Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) mostram que a área irrigada no mundo representa cerca de 18% da área agrícola total e responde por 44% da produção, enquanto a agricultura de sequeiro ocupa 82% da área e responde por 56% da produção agrícola”, acrescenta o professor.

Culturas de irrigação

Para falar sobre produtividade, irrigação e custos no agronegócio, o professor explica, entre os dois tipos de agricultura – irrigada e de sequeiro – qual é mais eficiente.

“Com relação ao uso de água, a agricultura irrigada é mais eficiente que a de sequeiro. Pode-se verificar isso com a análise da produtividade de água, que é a relação entre a produtividade de uma cultura agrícola e a água disponibilizada, geralmente apresentada em kg/m³ ou em kg/mm.”

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Métodos e sistemas de irrigação

São vários os tipos de sistemas de irrigação, sendo cada um para um tipo de tarefa e objetivo. Além disso, cada sistema caminha junto de um método específico. Mendonça apresenta esses métodos e sistemas:

  • Método: irrigação por superfície
    Sistemas: inundação, faixas e sulcos
  • Método: irrigação por aspersão
    Sistemas: autopropelido, aspersão convencional, pivô central e lateral móvel
  • Método: irrigação localizada
    Sistemas: microaspersão e gotejamento superficial
  • Método: Irrigação subterrânea
    Sistemas: elevação do lençol freático (áreas drenadas), subirrigação (substrato ou solo umedecido de baixo para cima, comum em estufas) e gotejamento subterrâneo

Benefícios dos projetos de irrigação

Um dos objetivos cruciais para os produtores agrícolas é a lucratividade, que, por sinal, só pode ser totalmente alcançada com a aplicação de ações que viabilizem a irrigação da cultura de maneira correta, reduzindo ao máximo os desperdícios de água, energia e tempo. Mendonça comenta sobre os benefícios da utilização de um projeto de irrigação.

“Desde que instalados com autorização ambiental e bem planejados por profissionais capacitados, os projetos de irrigação impulsionam a produtividade e a lucratividade nas atividades agropecuárias. Um projeto bem elaborado e bem executado contribui para eliminar a restrição hídrica, aumentar a produtividade, reduzir o risco de perda de produção, o custo unitário de produção e, inclusive, pode reduzir o prêmio do seguro agrícola”, comenta.

A influência da cultura agrícola

Como um último assunto a ser discutido sobre produtividade, irrigação e custos no agronegócio, a cultura pode ter grande influência. Mendonça explica sobre o papel fundamental das culturas agrícolas.

“A cultura, ou o conjunto de culturas agrícolas a ser irrigado, é parte fundamental na definição das características do projeto de irrigação. Detalhes como a arquitetura da planta, percentagem de ocupação do solo, necessidades hídricas e o período crítico com relação à disponibilidade hídrica estão entre os detalhes mais importantes de um projeto, juntamente com as características climáticas, de solo e relevo.”

“Além disso, as culturas podem, inclusive, definir o método e o sistema de irrigação a ser utilizado. Por exemplo, culturas como café, laranja e uva ocupam parte do solo e podem ser irrigadas por aspersão, microaspersão ou gotejamento. Já o arroz é mais comumente irrigado por inundação, mas a aspersão por pivô central vem ganhando espaço nessa cultura. E pastagens geralmente são irrigadas com sistemas por aspersão convencional ou pivô central”, enfatiza o professor.

O fato é que cada um desses fatores trabalha em conjunto, dependentes um do outro, para fortalecer o agronegócio e gerar cada vez mais lucro e menos desperdício. Cabe aos produtores utilizarem os melhores recursos para sua cultura e aplicarem os conhecimentos técnicos no dia a dia.

Para adquirir esses conhecimentos e aprender mais sobre produtividade, irrigação e custos no agronegócio, o MBA em Agronegócios USP/Esalq é o lugar perfeito para você! Inscreva-se e dê mais um passo fundamental para sua carreira.

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