Mundo BANI: o Mundo VUCA já não dá mais conta

Quando pensamos que as coisas estão mudando e evoluindo muito rápido, com certeza não temos a dimensão de quão rápido. Nos últimos anos, nós conversamos sobre o Mundo VUCA, mas iniciamos 2021 já com um novo termo. O Mundo BANI veio para substituir e dar conta do que o antigo modelo deixou em aberto.

Falar sobre um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (acrônimo com palavras da língua inglesa para VUCA: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity) foi tarefa de uma sociedade que estava entrando em uma crise sanitária e de saúde e que deu muito destaque para esse modelo de encarar as mudanças.

Naturalmente, a evolução dos conceitos fez nascer, quase um ano depois do início da pandemia de Covid-19 no Brasil, o Mundo BANI, que veio para substituir o modelo anterior, que se mostrou insuficiente perante as demandas que surgiram e que ainda podem surgir.

A verdade é que pessoas físicas e jurídicas não deram conta de atravessar a crise somente com as características do VUCA. É como se esse modelo fosse datado e, diante do que passamos no último ano, não conseguisse descrever o que realmente vivemos.

Vamos ao que interessa: Mundo BANI

Com o Mundo VUCA se tornando cada vez mais distante da nossa realidade, Jamais Cascio, professor e futurista da Califórnia, apresentou a definição de Mundo BANI e a Era do Caos. Vamos discriminar esse acrônimo.

  • Brittle (Frágil): sem raízes sólidas, tudo pode mudar rapidamente. Um vírus pode se espalhar pelo mundo (com as facilidades da globalização e interconexão), um concorrente pode mudar a lógica do mercado e por aí vai. Então, empregos não são sinônimos de segurança, posições não garantem estabilidade e mudanças na carreira são normais. E isso é óbvio. Assim, precisamos aprender a trabalhar com a instabilidade sempre por perto.
  • Anxious (Ansioso): toda essa fragilidade gera medo, que resulta em ansiedade (uma das doenças mais comuns do nosso tempo). Parece que vivemos no limite, que as decisões precisam ser tomadas rapidamente, que os segundos perdidos nos deixam para trás. Isso nos causa um senso de urgência.
  • Nonlinear (Não-linear): o distanciamento social do último ano nos deixou com a sensação de estar em um mundo com eventos desconectados e desproporcionais. Isso muda completamente o sistema de causa e efeito a que estávamos habituados, já que a aceleração dos acontecimentos significa que os altos e baixos não são proporcionais e nada é certo. Assim, planos a longo prazo, por exemplo, podem não ser os mais indicados para o Mundo BANI e devem ser adaptáveis às circunstâncias.
  • Incomprehensible (Incompreensível): a incompreensibilidade é o estágio final da nossa sobrecarga de informações. Temos muitos dados, mas a lógica parece não fazer mais sentido. Buscamos mais informações para ter mais controle, mas esse exagero pode ser apenas uma farsa em vez de uma solução. Nossa capacidade cognitiva de processar não mudou e o excesso de dados pode nos deixar sem respostas. Cada vez parece que entendemos menos, mesmo com o aumento do número de informações.

Mundo BANI X Mundo VUCA

O paralelo entre o Mundo BANI e o Mundo VUCA é de evolução. A ideia é que as dimensões exacerbadas de volatilidade geram a fragilidade. As incertezas resultam em ansiedade. Complexidade nos traz a não-linearidade. Enquanto aquilo que era considerado ambíguo se tornou mais do que isso, agora é incompreensível.

No Mundo BANI, as situações deixam de ser apenas instáveis e passam a ser caóticas. Os resultados não são simplesmente difíceis de prever, mas são completamente imprevisíveis.

O lado bom

Parece que tudo que falamos até aqui é negativo e desesperador, certo? Mas calma que nem tudo são espinhos. Criado para orientar empresas, o Mundo BANI também pode direcionar decisões da vida pessoal e profissional de cada pessoa. Isso porque o conceito foi criado para gerar oportunidades.

Como isso é possível? Basta pensarmos que a definição do Mundo BANI veio para abrir nossas mentes e estimular nosso cérebro a pensar de forma criativa e já prevendo os obstáculos. Quer ver como é simples de entender?

  • Para enfrentar a fragilidade, busque por resiliência e liberdade.
  • Para enfrentar a ansiedade, precisamos de empatia e atenção plena.
  • Para enfrentar a não-linearidade, devemos pensar no contexto e agir com flexibilidade e adaptabilidade.
  • E para enfrentar a incompreensibilidade, necessitamos de transparência e intuição.

Quem acompanha o Blog Next sabe que muitas dessas características já foram consideradas importantes em conteúdos que divulgamos há anos. Confira este texto de 2019 sobre as soft skills mais procuradas pelas empresas.

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Autor (a)

Marina Petrocelli
Mais de 12 anos se passaram desde minha primeira experiência com Comunicação Social. Meus primeiros anos profissionais foram dedicados às rotinas de redações com pouca ou nenhuma relevância digital. O jornalismo plural se resumia em apurar os fatos, redigir a matéria e garantir uma foto expressiva. O primeiro sinal de mudança veio com a proposta para mudar de realidade e experimentar um formato diferente de produzir. Daí pra frente, as particularidades do universo do marketing se tornaram permanentes. Ah! Também me formei em Direito (com inscrição na OAB e tudo). Mas nem tudo se resume às minhas habilidades profissionais. Como produtora de conteúdo, me interesso por boas histórias, de pessoas reais ou em séries, filmes e livros, especialmente distopias. Gosto de montar roteiros de viagens e reconhecer estrelas e constelações em um aplicativo no celular. Museus, música e arte no geral chamam minha atenção, assim como cultura pop.

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