Economia comportamental: por que ela existe?

O comportamento sempre foi um reflexo das nossas reações frente a estímulos externos e internos. Podemos agir de uma forma hoje e mudar totalmente amanhã, dependendo do que passamos e presenciamos. Na economia comportamental, diversos fatores são analisados e correlacionados com a psicologia, gerando percepções importantes para quem faz pesquisas de mercado.

Ficou difícil de entender? Pense nas influências que fatores cognitivos, emocionais, culturais, sociais e psicológicos exercem nas suas decisões. A economia comportamental sugere que a racionalidade de agentes econômicos, como indivíduos, empresas ou governo, por exemplo, é limitada pelos fatores que citamos anteriormente. Ou seja, nós agimos quase sempre por influência de algo ou alguma coisa.  

As decisões, nesse sentido, não são tomadas apenas com o olhar racional de consumir e produzir, mas sim a partir de uma visão que envolve moral, cultura e até religião, que geralmente são deixadas de lado na economia tradicional.

E de onde vem a economia comportamental?

Nos trabalhos do filósofo e economista Adam Smith, o termo já aparecia entre suas principais ideias, mas foi só no século passado que os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky começaram a estudar as motivações que levavam as pessoas a tomarem decisões ruins e relacionadas à economia. 

O trabalho que realizaram durante a década de 1960 na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, deu início ao conhecimento dessa nova disciplina no campo da economia – e que também está presente em outras áreas sensíveis a ela e até mesmo em nosso dia a dia.

A economia comportamental utiliza as bases matemáticas da economia, obviamente, mas se apoia na psicologia, neurociência e em outros ramos científico-sociais para gerar uma visão mais realista do que vivenciamos.

Para pensar de forma mais prática, esse tipo de estudo avalia o comportamento do homem diante da economia sem considerar que suas decisões são totalmente racionais.

Portanto, de maneira geral, nossas experiências, e até nosso emocional, exercem um grande peso em nossas escolhas. Por isso muitas pessoas não conseguem equilibrar suas economias de curto e longo prazo e encontram dificuldades para resolver problemas em momentos específicos.

Decisões irracionais, porém, óbvias

Diante da economia, geralmente tomamos nossas decisões considerando apenas questões racionais. Seguimos pela prática do que é ditado por ela, como números, pesquisas, relatórios entre outros.

Então, por que, ainda assim, “batemos a cabeça” quando precisamos lidar com a economia, com o consumo e com a oferta?

É com a economia comportamental que essas questões são respondidas e dependem, principalmente, de uma observação do contexto vivido. Por exemplo, muita gente não entende como investidores podem esperar tanto para vender suas ações quando elas estão em queda, ou acabam vendendo rápido mesmo que elas tenham potencial de subir.

Outra clássica pergunta seria o porquê empresários dedicam tempo, recursos e esforços para salvar áreas comprometidas da empresa, quando claramente elas são irrecuperáveis. Ou ainda, por que gastamos mais com um produto só porque ele pode ser pago com cartão de crédito?

São essas famosas questões, que parecem ter respostas tão óbvias, que a economia comportamental deseja investigar com mais precisão.

Você pode usar, sabia?

Marketing, negócios e até na saúde. Não existe limite para o uso da economia comportamental. Ela é vista, muitas vezes, em projetos estratégicos, campanhas de marketing e até em políticas públicas. Você com certeza pode ter se deparado com os resultados dessas ações em estratégias de empresas como Google, Hyundai, Visa e Coca-Cola.

Para quem precisa fazer pesquisas de mercado, seja para lançar produtos ou conquistar o posicionamento de uma empresa, a economia comportamental ensina que decisões têm como base hábitos e gatilhos próprios das nossas mentes. Pesquisas de mercado, inclusive, podem ajudar a mapear esses hábitos, fazendo previsões sobre decisões e trabalhando com elas para oferecer as melhores soluções.

Um exemplo disso é que as pessoas costumam dar muita importância a informações que consideram inéditas e exclusivas. Sendo assim, estão dispostas também a consumir o que consideram uma novidade mesmo que, racionalmente, aquilo não seja.

Um exemplo clássico é o lançamento anual de smartphones, quando os fabricantes realizam eventos apresentando modelos e variações, muitas delas apenas com uma roupagem diferente, são quase idênticas entre si.

Racionalmente, o consumidor não precisa do celular mais caro por ter apenas mais uma câmera adicionada, mas ele ainda assim deseja e está disposto a tomar uma decisão precipitada, pois a função foi apresentada como exclusividade daquele aparelho.

Já tinha ouvido falar sobre a economia comportamental? Quais exemplos você consegue lembrar agora?

Autor (a)

Ana Rízia Caldeira
Boa ouvinte, aprecio demais os momentos em que posso ver o mundo e conhecer as coisas pelas palavras das outras pessoas. Não por menos, entrei para o jornalismo. E além de trazer conteúdos para o Next, utilizo minhas habilidades de apuração e escuta para flertar com a mini carreira de apresentadora nos stories do MBA USP/Esalq, no quadro Você no Camarim. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.

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