Novos modelos de trabalho: o que vai predominar no pós-pandemia?

Do menor ao maior grau, diversas pessoas sentiram os efeitos da pandemia, e tudo o que foi vivido em 2020 serviu para ressaltar as discussões sobre os novos modelos de trabalho. A questão, é claro, não perde força em 2021 e ainda traz outro questionamento: como vamos trabalhar daqui para frente?

Atualmente, diversos aspectos valorizados pelas pessoas nos empregos já não são os mesmos de dois anos atrás. O que vemos hoje são vagas sendo prestigiadas para além da questão salarial.

Segundo o professor de psicologia da Wharton University, Adam Grant, em um artigo para a revista The Economist, a pandemia teve influência em três características relevantes do trabalho: a satisfação do colaborador (principalmente em meio ao crescente número de desemprego), a liderança ética e a confiança.

Outros temas são os formatos de trabalho, que foram ressignificados com a alteração espacial dos escritórios, e o bem-estar do colaborador, que se torna mais relevante em um mundo que está de olho na saúde e segurança.

Adaptação é essencial

Neste momento – e por algum tempo ainda – vivemos o trabalho com o conceito “das 8h às 18h”, com pessoas cumprindo a jornada diária estipulada pela empresa. Contudo, esse é um dos aspectos que sofrerão alterações dentro dos novos modelos de trabalho.

A ideia do escritório como uma segunda casa perdeu rapidamente o sentido e, agora, esse espaço é mais um local estratégico para promover o relacionamento dos colaboradores do que um ambiente que comprove a carga trabalhada semanalmente.

Outra ideia que já está tomando seu espaço nos novos modelos de trabalho são os pontos de apoio espalhados pela cidade, que facilitam a reunião de funcionários e diminuem as dificuldades de locomoção para a sede empresarial.

A flexibilização das horas de trabalho também deixará de ser algo pouco conhecido, uma vez que as organizações deverão entender em qual momento o funcionário pode trabalhar e apresentar mais produtividade. Isso, é claro, com base em comunicação, confiança e disciplina.

Por fim, e ainda pensando nos funcionários que permanecerão em casa pelo home office, seja por tempo integral ou dividindo com idas presenciais à empresa, há a necessidade de pensar na remodelação dos benefícios oferecidos pelos empregadores para o bem-estar dessas pessoas. Por exemplo, fornecimento de materiais e equipamentos para a estrutura de um escritório em casa, ajuda de custo com internet e adaptações que irão promover a ergonometria e uma boa comunicação com as equipes.

Experiência do colaborador

A experiência do colaborador dentro dos novos modelos de trabalho também será importante, principalmente quando a atenção do mundo está voltada para a saúde física e mental. Portanto, as intermináveis horas de trabalho e pouco tempo para lazer não podem mais ser romantizadas pelos funcionários e, muito menos, pelas empresas.

Com grande parte das pessoas percebendo que o bem-estar deve vir em primeiro lugar, falta agora o incentivo das empresas para que os cuidados pessoais sejam levados a sério e praticados sem o receio de “perder tempo de trabalho”. Esta, inclusive, é uma das grandes causas para que os colaboradores não aproveitem os benefícios médicos oferecidos pelo emprego.

A ideia, neste momento, é transmitir a mensagem de que produtividade anda em parceria com equilíbrio e saúde mental. Os novos modelos de trabalho, portanto, precisam ser desenhados pelo RH para atender a todos os colaboradores da empresa, sempre de forma individual.

Tendências

Atualmente, nenhuma organização deve pensar no colaborador como força de trabalho e, sim, como parceiro de sucesso. Dessa forma, se o desejo é que eles sejam mais adaptáveis, a empresa também precisa ser.

Por isso, uma boa atenção para as tendências e saber como usar cada uma delas ajuda na adoção dos novos modelos de trabalho. Veja abaixo algumas tendências que foram antecipadas e aceleradas pela pandemia:

Organizações menos rígidas

Os desafios impostos pela pandemia geraram a necessidade de flexibilização por parte das organizações e até da lei trabalhista brasileira. A tendência é que as opções de trabalho flexíveis aumentem a produtividade dos funcionários, ao mesmo tempo que suportam os requisitos de saúde e segurança nos locais de trabalho.

Isso pode acontecer tanto com o home office integral quanto parcial, com flexibilização dos horários ou até redução da jornada.

Trabalho terceirizado cresce

A incerteza econômica da pandemia fez com que muitos trabalhadores perdessem seus empregos. Com inovações tecnológicas e novas ferramentas de trabalho, as mudanças moldaram novas gerações de profissionais que, em vez de esperar uma resposta do mercado, buscam a contratação freelance.

Assim, o que era somente um “bico” se tornou um dos novos modelos de trabalho, chamado também de Gig Economy. O movimento aponta que a informalidade e a rapidez do serviço autônomo, especialmente nas áreas de comunicação e tecnologia, sejam cada vez mais visadas por empresas e profissionais.

Lifelong Learning

O trabalho pós-pandemia deixa de reconhecer a reciclagem de conhecimentos, portanto, profissionais que pararam no tempo foram pegos de surpresa e tiveram de se adaptar à nova realidade digital e aos novos modelos de trabalho.

A pandemia tornou o lifelong learning, ou aprendizado constante, uma tendência ainda mais relevante para o agora e o futuro, mas sua adesão dependerá de cada indivíduo.

Comunicação interna

Se antes a comunicação era espacialmente facilitada, hoje ela precisa ser aprimorada e adaptada, principalmente quando pensamos nos novos modelos de trabalho, com pessoas circulando dentro e fora da empresa.

Quando algo é decidido internamente, por exemplo, deve ser imediatamente compartilhado com quem não está no escritório, seja por ter optado pelo trabalho híbrido (metade home office e metade presencial), home office integral ou com aqueles que são contratados de outros lugares, como no caso de freelancers e funcionários de outras sedes.

Experiência mais humanizada

Enquanto algumas organizações reconhecem a crise e priorizam o bem-estar dos funcionários, outras pressionam seus colaboradores a trabalharem em condições contrárias.

No entanto, a forma como as empresas tratam seus funcionários tem mais impacto na marca empregadora e consumidora do que altos investimentos em Marketing. É essencial que as empresas observem o indivíduo, e não o coletivo, pois as preocupações humanas não estão separadas dos avanços tecnológicos – e são essenciais para capturar todo o valor das inovações.

Você também está de olho nas tendências? Não deixe de compartilhar mais aspectos dos novos modelos de trabalho com a gente 😉

Autor (a)

Ana Rízia Caldeira
Boa ouvinte, aprecio demais os momentos em que posso ver o mundo e conhecer as coisas pelas palavras das outras pessoas. Não por menos, entrei para o jornalismo. E além de trazer conteúdos para o Next, utilizo minhas habilidades de apuração e escuta para flertar com a mini carreira de apresentadora nos stories do MBA USP/Esalq, no quadro Você no Camarim. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.

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