Economia brasileira: o que esperar para o próximo ano?

Onde estamos e para onde vamos? Essas são as primeiras perguntas para começar a pensar em um panorama para qualquer tipo de situação, inclusive para a economia brasileira. Depois disso, é hora de apostar um pouco no conhecimento teórico – ou ir atrás para aprender sobre o assunto que você deseja prever.

No caso da economia, podemos começar com algumas análises, mas também é bom prestar bastante atenção no que andou acontecendo com os principais indicadores econômicos do país: o PIB, a Taxa de Câmbio, a Selic e o IPCA.

Até fevereiro deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) se mantinha estável com um crescimento de 2% acumulado ao ano. No entanto, após isso, houve uma queda brusca, que se manteve até o fim de julho, aproximadamente. O porquê, todos nós já sabemos.

Se você tem interesse em saber o que esperar da economia brasileira no próximo ano, continue lendo este post ?

Dois pesos, duas medidas

Muitos notaram que após a flexibilização do isolamento social, tivemos nova recuperação do PIB, apesar de lenta. Então, esse é o primeiro indício de recuperação no prognóstico do cenário econômico de 2021.

Quem afirma isso é o economista, professor do MBA USP/Esalq e apresentador do canal Economicamente, no Youtube, Haroldo Torres. “A queda histórica do PIB brasileiro só não foi tão grave em função dos auxílios emergenciais e das medidas adotadas pelo Governo.”

Quanto à Selic, a taxa básica de juros brasileira, o professor contextualiza que sua redução vem acontecendo desde o fim 2016. Em janeiro deste ano, a taxa começou com 4,5% ao ano, mas a brusca redução a partir de março levou ao início do segundo processo econômico, a desvalorização da taxa cambial.

“Com a desvalorização, olhamos para a economia brasileira com uma perda do diferencial de juros comparado a outras economias. Portanto, investidores agem com mais cautela ao pensar no país como proposta de investimento”, lembra Torres. No pico da pandemia, em maio, o Brasil atingiu um dos menores patamares históricos na Selic que, combinada com a inflação, representa uma taxa de juros real negativa.

“Estamos experimentando pela primeira vez na história do país uma taxa de juros real negativa, por isso que muitos agentes migraram para investimentos em renda variável, sendo que o movimento anterior eram as rendas fixas”, acrescenta.

E a inflação?

Neste momento, muito barulho está acontecendo em torno da inflação, que apresentou um aumento, ainda que tímido, nos últimos meses de 2020. No entanto, aqui vai uma observação de Torres: a inflação não está crescendo, mas sim voltando ao que costumava ser, uma vez que as pessoas retomaram alguns hábitos de consumo.

Isso nos leva, é claro, às duas últimas chaves da economia brasileira para conseguir traçar as perspectivas para 2021. No início da pandemia, e à medida em que ela se intensificou no mundo, a taxa de câmbio “encostou” nos R$ 6 e, desde então, flutua na casa do R$ 5,40 – uma desvalorização da moeda, sem dúvidas.

Junto a isso, Torres acrescenta o resultado primário, que basicamente é o que sobra no “caixa” do Governo para pagamento de juros da dívida e que teve uma deterioração. Portanto, não é bom olhar somente para a inflação na hora de entender a economia brasileira. “Tudo o que vimos até aqui representa a discussão central do que estamos vendo para o futuro”, alerta o professor.

Mercados

Olhando para 2021, a perspectiva é de que haja um crescimento de 3,2% para o PIB, revela Torres. Mas, sem enganos, pois isso não significa realmente um aumento, mas uma recuperação do ano perdido na pandemia.

“E acrescento que a pandemia só agravou uma economia que já estava debilitada. Pensando nesse cenário, podemos afirmar que poucos mercados passaram ilesos aos efeitos dos planos de contingência da doença durante esse tempo”, comenta.

O Agronegócio, no entanto, teve resultados mais do que ótimos em um ano tão atípico e, ao que tudo indica, isso se manterá no próximo ano. Já não podemos afirmar o mesmo com relação ao setor de Serviços que, diferentemente dos setores de Comércio e Indústria, ainda não conseguiu se recuperar.

Mas o que explica essa demora na recuperação de um setor tão importante?

“Simplesmente porque não existe uma forma compensatória para o que não consumimos durante a pandemia. Se não cortamos o cabelo nos últimos meses, agora não vamos cortar duas vezes mais para compensar”, exemplifica o professor.

Ao olhar para o PIB brasileiro atualmente, ele reforça que quase 70% é composto pelo setor de Serviços, justamente o que mais sofre com os efeitos da pandemia. Torres ainda chama a atenção para o ramo da Construção Civil, que despontou na recuperação em comparação aos demais setores e tem tudo para continuar assim.

Visão de futuro

Torres reforça que, para além dos termos teóricos, o que devemos esperar para 2021, seja na economia brasileira ou em outros aspectos, deverá partir dos seguintes pontos:

• Mais tecnologia: tanto na medicina quanto na educação, a tecnologia só acelerou o que já entendíamos como futuro. Finanças e comunicação também são pontos que tiveram incremento dos avanços tecnológicos e nada indica que vai parar por aí.

• Sustentabilidade: não só pela eleição de Joe Biden nos EUA, como também pela mudança na cadeira internacional. Crescimento mais sustentável e inclusivo serão prioridades para a população mundial.

• Comércio mundial: falando em prioridades, a segurança alimentar também segue em foco e trará mais mudanças nas cadeias globais de valor.

• Recuperação: a economia que se espera terá uma recuperação com juros baixos, porém, com taxa de câmbio alta. A alta liquidez no mundo traz desafios, mas também oportunidades de se reinventar com recursos privados.

“2020 certamente foi um ano de bastante tempestades, mas apresenta bons sinais de recuperação da economia brasileira. Só que isso é condicionado à uma agenda de reformas para levar dívidas para uma trajetória de queda e não de aumento contínuo, caso contrário, vamos nos manter numa tempestade e isso é o que mais nos apavora quando ouvimos falar sobre a segunda onda da pandemia”, finaliza o professor.

Curioso para saber outros pontos sobre a economia brasileira em 2021? Veja mais comentários e análises do cenário futuro com o professor Haroldo Torres aqui.

Autor (a)

Ana Rízia Caldeira
Boa ouvinte, aprecio demais os momentos em que posso ver o mundo e conhecer as coisas pelas palavras das outras pessoas. Não por menos, entrei para o jornalismo. E além de trazer conteúdos para o Next, utilizo minhas habilidades de apuração e escuta para flertar com a mini carreira de apresentadora nos stories do MBA USP/Esalq, no quadro Você no Camarim. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.

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