Similaridade e plágio: cuidados ao escrever seu TCC

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é item obrigatório para todos os alunos dos MBAs USP/Esalq e um dos critérios de avaliação do material inclui a verificação de similaridade e plágio do trabalho entregue pelo aluno com outros trabalhos e materiais já publicados.

Para definir os conceitos e explicar melhor sobre esse tema, o Blog Next conversou com Samile Seber, do departamento de TCC dos MBAs USP/Esalq.

Conceitos

Para início de conversa, é preciso definir os conceitos de similaridade e plágio. Samile explica que a verificação de similaridade indica o nível de originalidade de um trabalho. “Quando um programa detecta alta similaridade em um trabalho, é porque ele apresenta muita semelhança com um ou mais trabalhos já publicados na literatura”, diz.

A alta similaridade pode ser motivo de reprovação no TCC, assim como o plágio, que ocorre quando o aluno transcreve integralmente algum material já publicado ou produzido por outro autor sem citar a fonte do texto. “Ou seja, o aluno faz uso do trabalho de terceiros como se fosse seu, sem dar o devido reconhecimento ao verdadeiro autor”, comenta.

Mas não são só trabalho copiados integralmente que se classificam como plágio. Segundo Samile, cópias de parágrafos ou frases de outros autores, sem mencionar as fontes, também configuram plágio. “Há casos também em que um texto é identificado com alto grau de semelhança com outros textos do mesmo autor, o que é chamado de autoplágio”, define.

Samile também esclarece sobre as referências. A utilização dela é encorajada durante a execução do TCC e são as indicações dos autores, títulos dos trabalhos, títulos dos livros, editoras, revistas, ou de qualquer citação que foi feita no texto.

Software

Para verificar os índices de similaridade e plágio, a equipe de TCC dos MBAs USP/Esalq utiliza um software chamado Turnitin, que aponta o percentual de similaridade do TCC com outros trabalhos publicados (usando um enorme banco de dados de trabalhos de alunos, sites, livros, artigos etc.).

“O Turnitin analisa os documentos textuais quanto a erros de citação ou cópia

inadequada. Também gera um relatório de similaridade, que detalha o texto correspondente ou similar entre um envio feito ao Turnitin e os documentos com os quais ele foi comparado”, explica.

Todos os TCCs são submetidos à análise do software.

Processo de avaliação

Além da verificação de similaridade e plágio, todos os TCCs são avaliados por uma banca composta por um professor USP (Universidade de São Paulo) e pelo orientador ou orientadora (ou professor substituto). Toda estrutura do trabalho é avaliada. As seções obrigatórias são:

  • Título
  • Resumo
  • Introdução
  • Material e Métodos
  • Resultados e Discussão
  • Conclusão
  • Referências

“É importante que o aluno consiga aplicar alguma ferramenta estudada durante o curso. O embasamento teórico também é levado em consideração na avaliação, junto com a aplicabilidade do tema escolhido pelo aluno. O método de pesquisa utilizado é um aspecto que os avaliadores consideram também, sendo que a utilização única e exclusiva da pesquisa bibliográfica não é aceita”, define Samile.

Passo a passo

Antes e depois da análise de similaridade e plágio, a equipe responsável pelos TCCs tem muito trabalho. Confira o passo a passo de como a avaliação dos trabalhos é feita.

  • Após correção e confirmação do orientador, o aluno submete a versão final do TCC no sistema, dentro do prazo estipulado para a turma em que está matriculado;
  • A equipe de TCC envia os trabalhos para os revisores de formatação, que emitem parecer referente apenas à estrutura e formato do trabalho;
  • Simultaneamente, a equipe de TCC submete os trabalhos ao Turnitin para verificação da porcentagem de similaridade e plágio;
  • Trabalhos com porcentagem acima de 35% têm relatórios enviados aos membros da banca, para que eles avaliem as áreas de texto correspondentes ou similares encontradas no documento do aluno e decidam pela aprovação ou reprovação do trabalho;
  • Os trabalhos já formatados são enviados para os professores que farão parte das bancas, juntamente com os relatórios de formatação e de Turnitin (quando acima dos 35%);
  • Apresentação do TCC para a banca e atribuição da nota. Neste momento, existem três possibilidades: aprovado (nota entre 7 e 10); em recuperação (nota entre 5 e 6,9 – aluno tem 30 dias para adequação do trabalho às solicitações da banca. Orientador fará nova avaliação do material para aprovação ou não do aluno); e reprovado (nota de 0 a 4,9 – aluno sem possibilidade de nova avaliação).

O que tem um bom TCC?

Agora que você já sabe que o índice de similaridade e plágio do seu trabalho tem grande influência sobre a conclusão do seu MBA, que tal conferir outras dicas para apresentar um TCC que seja referência?

“Um bom TCC deve ter todas as seções obrigatórias citadas acima, além de abordar uma ferramenta ou tema que seja aderente ao curso a ser concluído, apresentando algo que seja relevante para profissionais da área ou para algum público-alvo”, indica Samile.

O desenvolvimento do TCC deve ser construído com embasamento teórico originado de fontes confiáveis e atuais, a metodologia deve ser coerente com o objetivo do trabalho e este, por sua vez, também precisa ser bem definido.

Itens adicionais

“No caso da utilização de questionário durante o desenvolvimento do trabalho, pode haver necessidade de análise pelo Comitê de Ética. Os alunos devem se atentar aos procedimentos e prazos para submissão”, orienta Samile.

Sobre a formatação, os alunos devem seguir rigorosamente as normas instruídas nos arquivos “Normas para Elaboração de TCC” e “Instruções para elaboração e conclusão do TCC”, que são disponibilizados no momento da designação do orientador.

Os alunos também podem verificar os níveis de similaridade e plágio dos trabalhos antes de realizar o upload no sistema acadêmico, por meio de algum software livre (a equipe de TCC envia uma sugestão e um tutorial de como utilizar).

Você já sabia tudo isso sobre similaridade e plágio? Compartilhe esse material com quem está se preparando para o TCC!

Autor (a)

Marina Petrocelli
Mais de 12 anos se passaram desde minha primeira experiência com Comunicação Social. Meus primeiros anos profissionais foram dedicados às rotinas de redações com pouca ou nenhuma relevância digital. O jornalismo plural se resumia em apurar os fatos, redigir a matéria e garantir uma foto expressiva. O primeiro sinal de mudança veio com a proposta para mudar de realidade e experimentar um formato diferente de produzir. Daí pra frente, as particularidades do universo do marketing se tornaram permanentes. Ah! Também me formei em Direito (com inscrição na OAB e tudo). Mas nem tudo se resume às minhas habilidades profissionais. Como produtora de conteúdo, me interesso por boas histórias, de pessoas reais ou em séries, filmes e livros, especialmente distopias. Gosto de montar roteiros de viagens e reconhecer estrelas e constelações em um aplicativo no celular. Museus, música e arte no geral chamam minha atenção, assim como cultura pop.

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