Empresas obsoletas: consequência exclusiva da transformação digital?

Pelos próximos anos, os efeitos da recente pandemia serão intensamente estudados e discutidos, tanto na área de saúde como nas de cultura, economia comportamento e negócios. Nesta última, há muito para se falar, uma vez que os efeitos prolongados do vírus só tornaram diversas empresas obsoletas devido a falta de preparo e estudo das transformações anteriores.

Quem não se lembra das diversas especulações sobre a revolução industrial e, mais recentemente, tecnológica? Cada época trouxe sua transformação e receios para as empresas, principalmente quando elas se enxergaram despreparadas para abraçar as novidades do mercado.

O Next conversou com o professor Bruno Diniz, da disciplina de Fintechs e Novas Soluções Financeiras, do MBA USP/Esalq, para saber um pouco mais sobre as novas necessidades do mercado e o que negócios menores, como as startups, podem ensinar sobre combater o cenário de empresas obsoletas.

Tecnologia é a lei

Por vivermos a era digital, é mais do que um costume que muitas coisas possam ser feitas com simples comandos de tela (e até por voz). Com a chegada da Covid-19, vimos muitos outros processos se tornarem digitais, inclusive nossas próprias vidas.

E se antes a ordem para o destaque das empresas era a transformação digital, isso se tornou agora uma questão de sobrevivência. Neste contexto, já não existem possibilidades impossíveis para o mercado, mas sim uma previsão de que elas acontecerão em prazos cada vez mais curtos.

“Tem uma máxima que o Bill Gates falou que em dois anos teremos apenas dois tipos de empresas: as que fazem negócios pela internet e aquelas que não fazem negócio. Acho que é um pouco do que a pandemia está trazendo para a gente”, observa Diniz.

Segundo o professor, o acelerado momento de transformação não deixa espaço para empresas obsoletas pois, independentemente do segmento em que estejam, não há formas de se manter sem fazer qualquer tipo de negócio pela internet.

“E não falo da internet apenas como canal de vendas, mas também como ferramenta para desenvolver ou captar clientes. As empresas estão fadadas a passar por momentos como o de agora, com um ciclo econômico complicado. Sem lançar mão da tecnologia ou se abrir para a inovação, elas vão realmente sentindo as dores de parar no tempo”, acrescenta.

Lições das startups

Para Diniz, não há dúvidas de que as startups podem servir como inspiração para enfrentar o momento, principalmente por darem uma lição na questão da adaptabilidade – o elemento mais importante para enfrentar crises.

“Este é o momento de tentar se adaptar e tomar decisões rápidas, principalmente no mundo dos negócios, quando as decisões forem de cunho financeiro”, alerta.

As tomadas de decisões também devem ser acompanhadas de estudo e previsões do futuro. Quanto mais preparada, mais rápido uma empresa pode colocar em prática ações que respondam às mudanças.

E se trabalhar de forma digital dita quais são ou não as empresas obsoletas, o contato com o público, além do entendimento da sua situação, será essencial para tornar um negócio diferente dos concorrentes.

“Nem todo mundo vai sobreviver, isso é um fato, mas é um bom momento de reflexão sobre o que a empresa está oferecendo. Estamos vendo uma aceleração importante sobre como os negócios serão feitos daqui para frente e não podemos mais ignorar essas mudanças”, pontua Diniz.

Empresas obsoletas sempre existiram  

É fato que empresas que acompanham de forma rápida a inovação dominarão o futuro. Prova disso é a publicação da Future 50, com as 50 empresas que já são ou serão líderes do mercado nos próximos anos. Na lista estão nomes como Amazon, Tesla, Facebook, Netflix, Alphabet, Workday, Salesforce, Yelp e Lending Club.

Antes de chegarem ao fim, poucos negócios fazem o exercício de autoanálise para saber se estão do grupo de empresas obsoletas. “Reconhecer que está em rota de obsolescência é importante, mas requer uma análise desde o setor em que estamos inseridos e quais marcos estão acontecendo nele. Minha empresa está reagindo a isso?”, comenta Diniz.

O professor ainda argumenta que o problema das empresas obsoletas é a falta de reconhecimento de que o negócio ficou preso demais ao seu nicho, dentro de uma experiência específica do seu setor, o que transforma o negócio em uma empresa de carroças na época em que carros já existem.

“O problema da mudança é que às vezes ela acontece super rápido. Mas isso sempre aconteceu e se a gente não se adapta à inovação quando ela surge, perdemos a oportunidade de evoluir o negócio”, pontua.

E inovações podem sim matar empresas se elas não levarem a sério o poder das transformações. “Quem leva isso muito a sério é o Facebook, que ensina a todo funcionário novo que se um dia a empresa morrer por causa de uma nova solução, que ela tenha nascido dentro do Facebook”, exemplifica o professor.

Por fim, Diniz coloca no centro da discussão o poder da transformação de extinguir empresas obsoletas ou modelos de negócios que nascem sem pensamento inovador. “É necessário dar atenção para esses pontos e evitar sofrer as crises tão duramente no futuro.”

Vamos conversar mais sobre as transformações mundiais? Deixe nos comentários outros assuntos para discutirmos por aqui 😉

Autor (a)

Ana Rízia Caldeira
Boa ouvinte, aprecio demais os momentos em que posso ver o mundo e conhecer as coisas pelas palavras das outras pessoas. Não por menos, entrei para o jornalismo. E além de trazer conteúdos para o Next, utilizo minhas habilidades de apuração e escuta para flertar com a mini carreira de apresentadora nos stories do MBA USP/Esalq, no quadro Você no Camarim. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.

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