Detox Digital: ainda é uma prática possível?

Muito além de se desconectar do mundo virtual, o detox digital é uma forma de seleção de ambientes digitais com curadoria de conteúdos e diminuição do tempo de uso de redes sociais e aparelhos.

São tantas informações recebidas a cada segundo e tantas divulgações irreais de padrões de vida e consumo que as pessoas podem se sentir saturadas e propensas a abandonarem de vez essas relações digitais.

Contudo, para Marcelo Teixeira, professor do MBA USP/Esalq em Marketing, estar conectado ainda é necessário e tem muitas vantagens, por isso o detox digital não seria uma ruptura completa com os meios online. Vamos entender melhor como isso funciona?

Fases

A forma como os usuários se apropriam da tecnologia é o principal ponto de partida para entender o movimento do detox digital. Segundo Teixeira, existem três fases. “A primeira é a fase da novidade, em que o usuário tende a aderir à tecnologia. Se uma nova rede social é criada, a tendência é fazer parte dela”, explica.

Já na segunda fase da apropriação, os usuários utilizam e experimentam a tecnologia. Isso significa que o tempo dessa fase é diferente para cada pessoa e depende do jeito como é feita a sua própria adequação ao meio.

“Por fim, a terceira fase é a seleção e ocorre quando o usuário avalia o custo benefício de continuar fazendo uso daquela tecnologia. Nessa fase ele pode abandonar a tecnologia ou fazer uso mais consciente e que lhe traga algum prazer ou retorno”, destaca Teixeira.

O professor ainda esclarece que o detox digital sempre existiu, mas está em evidência porque boa parte dos usuários chegaram à terceira fase e estão selecionando mais e consumindo somente o que interessa.

Distanciamento social

Você deve estar se perguntando: uma vez em distanciamento social, com compras e trabalhos sendo realizados online, por exemplo, como é possível pensar em detox digital?

Teixeira responde. “É exatamente em situações como a que vivemos hoje, ancorados na necessidade de realizar tarefas em casa, que revisitamos a fase três”, comenta.

Ele entende que, neste cenário, os usuários percebem que podem utilizar as tecnologias a seu favor e, quando tudo isso terminar, será possível avaliar e decidir sobre manter ou abandonar certas tecnologias.

Redes sociais X e-commerce

Quando pensamos em detox digital, logo nos vem à mente as redes sociais. Contudo, especialmente para o nosso momento atual, os e-commerce são cada vez mais relevantes nesse universo virtual.

Segundo Teixeira, a utilização tanto das redes sociais quanto dos e-commerce tem a ver com a nossa percepção de compressão do tempo.

“Nosso recurso temporal é limitado, por isso as pessoas precisam renunciar a algo para usarem o tempo de forma racional. Nesse sentido, os e-commerce podem ser uma boa alternativa para otimizar o tempo, além da praticidade e comodidade de comprar de casa, independentemente do distanciamento social”, diz.

Já as redes sociais são impactadas de forma mais decisiva, uma vez que seus benefícios serão percebidos de maneira positiva ou negativa a partir da experiência de cada usuário. “Exemplo disso é o Facebook. Já há alguns anos, os usuários dessa plataforma perceberam que outras redes sociais podem proporcionar interações tão ou mais prazerosas”, comenta o professor.

Isso não precisa significar, necessariamente, uma queda no número de usuários da rede, mas uma diminuição no tempo de uso em detrimento de outras opções.

Dicas para um detox digital

Quem já estava considerando fazer um detox digital mas sente dificuldade, seja pela dependência dos meios virtuais para lazer ou para realização de atividades do dia a dia, Teixeira separou algumas dicas que podem auxiliar esse processo.

“A principal dica é avaliar a contribuição de cada ambiente digital para o seu dia a dia. Nessa primeira avaliação, alguns ambientes e aplicativos certamente serão abandonados. Se o objetivo é escutar músicas online, por que ter três aplicativos no celular? Qual deles é o mais usado?”, exemplifica.

“Para os ambientes que restaram, a recomendação é sistematizar seu uso. Por exemplo, interagir em uma rede social somente aos fins de semana e/ou reduzir gradativamente o uso desses ambientes”, sugere Teixeira.

Ele recomenda que essas atividades que deixam de ser realizadas sejam substituídas por outras. “Mais tempo de sono, a leitura de um livro, reuniões com familiares e amigos (mesmo que por vídeos) e atividades físicas são alguns exemplos de práticas que podem deixar o cotidiano mais saudável e menos virtual”, comenta.

Como a ideia do detox digital não é o abandono radical de todas as plataformas virtuais ou redes sociais, o ideal é educar os algoritmos. “Quando curtimos e compartilhamos somente conteúdos que nos interessam e nos são úteis de alguma forma, a tendência é que as entregas futuras de publicações sejam mais adequadas ao que realmente queremos ou precisamos consumir.”

Vale lembrar que todas as ferramentas disponibilizadas permitem filtrar usuários e conteúdos que sejam mais interessantes, com opções de silenciar publicações e receber notificações de atualização de determinada página, por exemplo.

Você já fez um detox digital? Conte sua experiência para a gente nos comentários!

Autor (a)

Marina Petrocelli
Mais de 12 anos se passaram desde minha primeira experiência com Comunicação Social. Meus primeiros anos profissionais foram dedicados às rotinas de redações com pouca ou nenhuma relevância digital. O jornalismo plural se resumia em apurar os fatos, redigir a matéria e garantir uma foto expressiva. O primeiro sinal de mudança veio com a proposta para mudar de realidade e experimentar um formato diferente de produzir. Daí pra frente, as particularidades do universo do marketing se tornaram permanentes. Ah! Também me formei em Direito (com inscrição na OAB e tudo). Mas nem tudo se resume às minhas habilidades profissionais. Como produtora de conteúdo, me interesso por boas histórias, de pessoas reais ou em séries, filmes e livros, especialmente distopias. Gosto de montar roteiros de viagens e reconhecer estrelas e constelações em um aplicativo no celular. Museus, música e arte no geral chamam minha atenção, assim como cultura pop.

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