Educação 4.0: como se preparar?

A quarta revolução industrial é marcada pela convergência de tecnologias. Ela proporcionou mudanças no jeito como pensamos, nas formas como nos comportamos e na maneira como as coisas funcionam. Neste contexto, a educação 4.0 surge para adaptar a escola ao mundo digital, com atualização no modo como aprendemos e ensinamos.

Mais do que focar em recursos tecnológicos, a ideia da educação 4.0 é utilizá-los para promover interação, vivência, experimentação e desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Tudo isso porque ela faz parte da Internet das Coisas (IoT, Internet of Things em inglês), conceito que caracteriza a interconexão digital dos objetos – a capacidade de uma rede de objetos transmitir dados entre si.

São tablets, computadores, impressoras, inteligências artificiais e aplicativos, além de outros dispositivos e plataformas, que se integram para melhorar processos e otimizar os serviços.

Podemos citar alguns exemplos, como câmeras de reconhecimento facial, que permitem tanto a identificação dos alunos e professores para garantir a segurança do local quanto a apuração de eventuais conflitos; e geladeiras inteligentes, que fazem um balanço do que foi consumido e do que ainda está armazenado a fim de gerar o pedido na distribuidora.

Os benefícios da educação 4.0 são inúmeros, a começar pelo interesse dos alunos, que podem lidar com dispositivos muitas vezes já utilizados em casa. Os professores também podem criar planos de aulas mais inteligentes a partir de dados sobre os conteúdos mais acessados, assim como prever os caminhos do ensino e modificar as rotas, se necessário.

Os quatro pilares

Para dar sustentação a um processo de ensino continuado, a educação 4.0 se baseia em quatro referenciais teórico-tecnológicos.

  • Modelo sistêmico: avaliar o cenário atual, onde se pretende chegar e qual a estratégia
  • Mudança no senso comum: buscar por referências teóricas baseadas em educação científica tecnológica para elaboração de aulas mais eficientes
  • Engenharia e gestão do conhecimento: estudar as competências e habilidades dos alunos
  • Cibercultura: preparar os espaços de aprendizagem

Na educação 4.0, os interesses dos estudantes são levados em consideração para a jornada dos estudos; o conhecimento é adquirido também por experiências, projetos colaborativos e trocas com colegas; e os recursos tecnológicos da escola são utilizados de maneira criativa.

Aspectos de conectividade e continuidade

Como dissemos no início deste texto, a educação 4.0 é parte da quarta revolução industrial. E a escola precisa acompanhar a transformação da sociedade, adquirindo algumas características dessa nova indústria.

  • Facilidade de acesso ao conhecimento
  • Conectividade dos sistemas
  • Automação e sistemas robotizados
  • Inteligência artificial
  • Big Data (análise e interpretação de grande volume de dados)
  • Novas mídias e velocidade de inovação

Esses aspectos conferem muita importância à educação 4.0, pois comprovam a constância das mudanças e exigem que os alunos desenvolvam a capacidade de continuar aprendendo, mesmo durante a vida adulta, para que a resposta aos estímulos tecnológicos sejam cada vez mais rápidas.

E tudo isso só é possível se as experiências forem além dos equipamentos e estiverem alinhadas com um planejamento pedagógico estratégico. A simples replicação de conteúdo já não interessa mais e é necessário desenvolver competências.

BNCC

Uma grande aliada da educação 4.0 é a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que define a organização das três etapas da Educação Básica (Ensino Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) e das aprendizagens especiais, além de apresentar 10 competências gerais que norteiam o uso da tecnologia na educação.

Educação personalizada

A inteligência artificial e a captação e análise de dados possibilita a criação de um histórico dos alunos, ressaltando os interesses pessoais, suas habilidades sociais e emocionais e até mesmo os hobbies.

Tudo isso já é muito útil hoje para os profissionais e tende a ser ainda mais relevante para o futuro. Consequentemente, com uma educação mais personalizada, os alunos se tornam mais engajados.

Professores preparados

Para estar em dia com as propostas de uma educação 4.0, os educadores também precisam desenvolver algumas habilidades e encarar esse cenário como uma oportunidade de transformação, tanto do processo de ensino quanto do crescimento pessoal.

Os professores são os principais motivadores de novos projetos e iniciativas e promotores da autonomia e demais capacidades dos alunos. Por isso, é necessário entender um pouco sobre dispositivos e equipamentos eletrônicos, mas o essencial é se tornar parceiros dos alunos, para estimular as metodologias ativas (a busca autônoma por conhecimento e posterior atividade em equipe para debater o assunto).

É parte da rotina dos educadores ter percepção e flexibilidade para se colocar em diversas situações, ora como aprendiz, ora como orientador, por exemplo.

Learning by doing

O conceito de, literalmente, “aprender fazendo” é peça-chave na educação 4.0. E vale tanto para os alunos, que são constantemente instigados a colocar a mão na massa, quanto para os educadores, que precisam aplicar as novidades tecnológicas sem um modelo preestabelecido, testado e aprovado.

Se interessa pelo tema? Então confira como a tecnologia pode aprimorar a aprendizagem imersiva.

Autor (a)

Marina Petrocelli
Mais de 12 anos se passaram desde minha primeira experiência com Comunicação Social. Meus primeiros anos profissionais foram dedicados às rotinas de redações com pouca ou nenhuma relevância digital. O jornalismo plural se resumia em apurar os fatos, redigir a matéria e garantir uma foto expressiva. O primeiro sinal de mudança veio com a proposta para mudar de realidade e experimentar um formato diferente de produzir. Daí pra frente, as particularidades do universo do marketing se tornaram permanentes. Ah! Também me formei em Direito (com inscrição na OAB e tudo). Mas nem tudo se resume às minhas habilidades profissionais. Como produtora de conteúdo, me interesso por boas histórias, de pessoas reais ou em séries, filmes e livros, especialmente distopias. Gosto de montar roteiros de viagens e reconhecer estrelas e constelações em um aplicativo no celular. Museus, música e arte no geral chamam minha atenção, assim como cultura pop.

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