Previdência privada: é hora de começar a investir?

Muita coisa mudou este ano e a aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi uma das transformações que mais deu o que falar, especialmente após a aprovação da Reforma da Previdência. Assim, a previdência privada se tornou ainda mais uma opção para os brasileiros.

Antes de qualquer coisa é preciso ter em mente que a aposentadoria pelo INSS é um dos benefícios garantidos pelo governo para os trabalhadores contribuintes. Esse direito só pode ser resgatado em situações bem específicas e possui um teto máximo: não importa o quanto você contribuiu durante a vida, o valor mensal que você receberá com a aposentadoria não pode ultrapassar um limite (que passa por reajustes periódicos).

Já a previdência privada é um investimento a longo prazo e mais flexível, já que você pode escolher qual o mais adequado aos seus objetivos, o valor da contribuição e a liquidez, por exemplo. Nesse modelo você recebe a contribuição investida ao longo dos anos somada com os rendimentos mensalmente ou tudo de uma vez.

A parte chata da previdência privada é o trabalho de pesquisar o que fica melhor para o seu estilo de vida e objetivos. Mas, com o Blog Next, você sai na frente e tem acesso a um guia completo sobre o assunto.

Entrevistamos Renato Henrique Massano, financial adviser e sócio da GR Consultório Financeiro, para montar um panorama a respeito da previdência privada.

Planejamento financeiro

Para início de conversa, Massano ressalta a necessidade de as pessoas montarem um planejamento financeiro com objetivos de curto, médio e longo prazos. “Quando falamos em previdência, o principal objetivo é nossa terceira idade, e o fato importante é que a expectativa de vida dos brasileiros vem crescendo a cada década. Estaremos preparados financeiramente para vivermos por mais 20, 30 ou 40 anos após nossa aposentadoria, mantendo o padrão de vida?”, indaga.

É aí que entra a previdência privada, que funciona, muitas vezes, como complemento à aposentadoria pública para proporcionar essa manutenção do padrão de vida. Assim, você não fica dependente das reformas à previdência social que ocorrerem ao longo dos anos.

A dica é começar o quanto antes, uma vez que o sistema financeiro trabalha com juros compostos (os tais juros sobre juros). “O tempo é um grande aliado nesse processo. Quanto antes começarmos, menor será o investimento e maior será o recurso acumulado”, explica Massano, que cita, por exemplo, pais que começam a previdência privada dos filhos desde o nascimento e mantêm disciplina nas aplicações para situações como auxílio para faculdade, intercâmbios e demais investimentos.

Atenção redobrada

A previdência privada é uma ótima ferramenta para nossa aposentadoria, mas alguns cuidados são necessários na hora de contratar, especialmente com relação às taxas.

“Algumas companhias ainda insistem em trabalhar com taxas de carregamento – fuja delas. Já a taxa de administração do fundo deve ser condizente com o tipo de fundo e sua performance. Um fundo de renda fixa necessariamente deverá ter um percentual bem baixo, por exemplo”, comenta Massano.

Sobre a performance, é importante ter cuidado com os retornos. Alguns investimentos performam abaixo da poupança e podem acabar sendo insuficientes.

VGBL X PGBL

Praticamente todos os planos abertos comercializados hoje em dia possuem o formato VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) ou PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres). E não existe melhor ou pior, somente o mais adequado para cada pessoa. Contudo, a escolha errada pode trazer prejuízos ao investidor, já que as modalidades dizem respeito ao quanto você vai pagar.

“A VGBL é indicada para pessoas isentas do IR (imposto de renda) ou que fazem a declaração simplificada. Como não há abatimento das contribuições, o imposto a ser pago no resgate será calculado apenas sobre o rendimento das aplicações e não sobre os aportes/depósitos”, detalha.

Já a PGBL é indicada para quem faz a declaração completa do IR e possuem imposto retido na fonte. Essa modalidade permite que você deduza o valor das contribuições da sua base de cálculo do IR, com limite de 12% da sua renda bruta anual. Assim é possível reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição de IR.

O que mais avaliar?

  • Imposto de renda: A previdência privada é o único investimento que permite escolher a forma de tributação na hora de resgatar o valor. A Tabela Progressiva Compensável retém 15% na fonte de todo resgate efetuado e ajusta na declaração anual e conforme a renda tributável anual, podendo chegar em 27,5%. A alíquota final é definida no ajuste anual – pagando ou restituindo imposto. Já a Tabela Regressiva Definitiva possui alíquotas que diminuem em função do tempo, começando em 35% e atingindo 10% após 10 anos. Geralmente é mais indicada para pessoas que possuem renda tributável alta e priorizam o longo prazo. Só é possível migrar da progressiva para a regressiva, uma vez que esta é definitiva.
  • Rentabilidade: O mercado tem disponível vários tipos de fundos de investimento, categorizados como conservadores, moderados ou agressivos. Quem não lida bem com a flutuação do mercado ou tem o objetivo de só preservar patrimônio opta pelos conservadores (geralmente renda fixa). Os moderados e agressivos possuem percentual de renda variável que potencializa o retorno ao longo do tempo.
  • Taxa de administração: É paga ao gestor do fundo escolhido. É anual e descontada da rentabilidade. Para os fundos conservadores, o ideal são taxas baixas, de até 1% ao ano. Os moderados e agressivos, pela complexidade das operações, podem chegar até 2,5% ao ano.
  • Taxa de carregamento: Destinada a custear as operações administrativas e comerciais do agente distribuidor do plano. Pode ser de entrada, quando descontada no aporte, ou de saída, retido no resgate ou portabilidade. Já existem planos que não cobram essa taxa.

“De acordo com o valor investido, é possível criar uma carteira de fundos previdenciários, assim como nos investimentos tradicionais”, conclui Massano.

Quer saber mais sobre investimentos? Confira as dicas do Blog Next para começar!

Autor (a)

Marina Petrocelli
Mais de 12 anos se passaram desde minha primeira experiência com Comunicação Social. Meus primeiros anos profissionais foram dedicados às rotinas de redações com pouca ou nenhuma relevância digital. O jornalismo plural se resumia em apurar os fatos, redigir a matéria e garantir uma foto expressiva. O primeiro sinal de mudança veio com a proposta para mudar de realidade e experimentar um formato diferente de produzir. Daí pra frente, as particularidades do universo do marketing se tornaram permanentes. Ah! Também me formei em Direito (com inscrição na OAB e tudo). Mas nem tudo se resume às minhas habilidades profissionais. Como produtora de conteúdo, me interesso por boas histórias, de pessoas reais ou em séries, filmes e livros, especialmente distopias. Gosto de montar roteiros de viagens e reconhecer estrelas e constelações em um aplicativo no celular. Museus, música e arte no geral chamam minha atenção, assim como cultura pop.

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