Marketplace ou e-commerce: Qual é o melhor modelo de negócio?

O investimento em vendas pela internet é um movimento sem volta. Seja por meio de um e-commerce ou marketplace, o comércio online facilita qualquer negócio, uma vez que amplia sua área territorial de alcance.

Com o crescimento considerável no uso de smartphones e redes de internet, maior se tornaram as buscar por lojas digitais. Mas não somente esses aparelhos influenciaram a venda por sites. A comodidade e a independência ao comprar também popularizaram os dois modelos de negócio.

“Grandes varejistas começaram a adotar a estratégia do marketplace para aumentar o fornecimento de produtos oferecidos nos sites. Isso podemos ver em empresas como Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio) e B2W Digital (Submarino, Shoptime, Americanas.com)”, explica o professor dos MBAs USP/Esalq em Varejo e Mercado de Consumo e Marketing, Marcos Luppe.

Ao pegar como exemplo o site da Magazine Luiza, que normalmente comercializa em suas lojas físicas eletrônicos, eletrodoméstico, artigos para cozinha e mobília, por exemplo, existe uma série de artigos mais variados, tais como bebidas, artigos para pet shop ou alimentos.

“Com isso, ela vai ganhando mais relevância no mercado. Quando pensamos nessa questão de aumento de sortimentos, vemos exatamente o que é a Amazon nos Estados Unidos”, comenta Luppe. A gigante varejista abriga diversas categorias de vendas, oferecendo desde creme dental até peças para carros.

O professor ressalta que essa variedade é possível somente em um marketplace. No caso de um e-commerce, a estratégia de venda tem pouca diversidade de produtos, sendo mais apropriado para uma loja não muito grande e com artigos mais exclusivos.

É bom para quem?

Uma segunda questão de grande importância é a rentabilidade desses modelos. Para a maior parte das varejistas, o marketplace gera mais lucro do que as vendas feitas em lojas físicas. “Os sellers, que são as empresas hospedadas dentro da plataforma, pagam uma comissão por cada produto vendido nesse ambiente”, observa Luppe.

Para ilustrar melhor, aqui vai um exemplo: alguém compra um shampoo antipulgas dentro do marketplace. Ele não foi vendido pelo “dono” do site, mas sim pelo Pet Shop X. É possível saber disso no momento da compra, em que existe a descrição “vendido e entregue por Pet Shop X”. A cada artigo vendido pelo pet shop, o shopping virtual terá direito a uma porcentagem de comissão.

Outra vantagem destacada é que, apesar de fazer o controle do fluxo, o marketplace não tem que se preocupar com certas tarefas. Ir até o fabricante, comprar e armazenar o produto para depois separar, emitir nota e distribuir para quem compra é um trabalho do seller.

Marketplaces são populares

Quando uma plataforma deseja aumentar os fatores produtivos, por necessidade ela precisará acrescentar categorias de produtos, muitas vezes sem qualquer relação com seu foco principal em vendas no e-commerce.

“É por isso que esses grandes portais têm um direcionamento muito grande de buscas. Portanto é preciso desenvolver um modelo de vendas interessante, que se incorpore com outros sellers tão variados”, comenta o professor.

Da mesma forma como ocorre com a Amazon e Alibaba, o maior marketplace da China, um dos destaques do modelo no Brasil, atualmente, é o Mercado Livre. “Só que ele atua de forma diferente, porque é apenas um intermediário prestador de serviço. A plataforma não vende nada sob uma marca denominada Mercado Livre”, observa o professor.

Resumidamente, a empresa reúne vendedores de diversas categorias, tendo como diferencial a oferta de produtos novos ou usados. “Apesar dessa diferença, vale mencioná-la por estar inserindo no mercado brasileiro tantas opções de vendas, como os varejistas fazem”, completa.

Quando me unir a um marketplace?

Empresas que desejam expandir o negócio para vendas online precisam realizar uma análise apurada sobre qual plataforma optar. O professor esclarece que ter um e-commerce, com site próprio, é possível, mas requer certos esforços.

“O grande problema de parte das empresas pequenas é que, para ganhar relevância, tem que se investir muito em divulgação”, comenta. Sem um bom valor para aplicar no marketing, criar um e-commerce pode ser um “tiro no pé”.

Verificar as ferramentas de pagamento e realizar a manutenção da loja são apenas mais algumas das tarefas para levar o negócio adiante. No marketplace, a preocupação do seller será apenas vender seguindo o contrato firmado com o shopping virtual.

“Obviamente, em situações como a de produtos artesanais ou com certa exclusividade, pode até ser conveniente estar no marketplace, mas também é interessante ter um site próprio”, conta Luppe. Cada empresa precisa buscar e fazer uma análise criteriosa dos prós e contras de estar em uma (ou mais) plataforma.

Atenção para quem já aderiu

É fato que estudos são muito importantes antes de qualquer passo. Verificar segmento, relevância e o modelo de negócio adotado por cada marketplace são questões que incluem custos. Para se estar presente em uma plataforma é preciso investimento, e ele muda de empresa para empresa.

Ao entrar em um marketplace, alguns cuidados são essenciais para manter a reputação da plataforma. “Grandes portais que têm investido na estratégia precisam acompanhar o processo junto aos vendedores, para que a compra satisfaça exatamente o que o consumidor buscou”, comenta Luppe.

Se existem aborrecimentos sobre a entrega, qualidade ou veracidade dos produtos, a culpa geralmente cairá sobre o site. “A maior parte das pessoas não sabe o que é marketplace. Então essa estratégia requer processos para fazer um acompanhamento e ver se os sellers estão cumprindo o que prometeram na venda”, ressalta.

Outro problema que pode acontecer é a comercialização de produtos falsificados. Isso exige um cuidado máximo pela parte dos marketplaces. Somente assim a imagem do site não será prejudicada. Quando a popularidade é afetada por essas questões, os próprios sellers poderão ser atingidos pela baixa procura dentro da plataforma.

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Autor (a)

Ana Rízia Caldeira
Boa ouvinte, aprecio demais os momentos em que posso ver o mundo e conhecer as coisas pelas palavras das outras pessoas. Não por menos, entrei para o jornalismo. E além de trazer conteúdos para o Next, utilizo minhas habilidades de apuração e escuta para flertar com a mini carreira de apresentadora nos stories do MBA USP/Esalq, no quadro Você no Camarim. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.

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